Magreza como tendência e o papel do algoritmo: até onde vai a responsabilidade?

Uma reflexão sobre juventude, magreza e a influência dos algoritmos nas redes sociais e padrões de beleza.

A primeira versão dessa publicação foi o que me motivou a criar este blog. Você pode conferir uma versão reduzida dela aqui. Quando publiquei o primeiro post no blog, decidi que este seria o segundo, especialmente porque, nesse meio tempo, assisti a um filme que se conecta bastante com o tema.

Algumas semanas atrás, assisti ao filme A Morte Lhe Cai , que conta a história de duas mulheres dispostas a fazer qualquer coisa para recuperar a beleza e juventude que um dia tiveram. Recentemente, vi A Substância, que retrata a trajetória de uma atriz cuja carreira desmorona com a chegada da velhice. Desesperada, ela toma uma substância misteriosa que traz uma nova versão de dela mesma.

Esses filmes me fizeram lembrar de uma trend que tem circulado no TikTok. Nela, meninas, adolescentes e mulheres compartilham práticas extremas, como passar o dia apenas comendo gelatina ou até celebrar a dor de barriga, porque isso as ajudaria a perder peso.

O que esses 3 pontos têm em comum?

A eterna busca pela juventude e magreza. Nos filmes e na trend, fica evidente que muitas mulheres estão dispostas a fazer quase qualquer coisa para parecerem mais jovens, mais magras e, por consequência, “mais bonitas e desejáveis”.

Essa reflexão me leva a questionar: até onde a culpa é do algoritmo? Ele deve ser responsabilizado? E mais importante, ele pode ser responsabilizado?

Segundo as diretrizes da plataforma, a idade mínima para uso do TikTok é 13 anos (ou 14 na Coreia do Sul, Indonésia e Quebec). É comum encontrar crianças bem mais novas por lá, expostas a conteúdos e padrões estéticos muitas vezes prejudiciais. E o impacto desse conteúdo não se restringe apenas às crianças; afeta também adolescentes e mulheres adultas que sentem uma pressão constante para atingir o padrão de magreza e beleza exaltado nas redes sociais.

Apesar das diretrizes de conteúdo específicas do TikTok proibirem a exibição de práticas prejudiciais relacionadas ao controle de peso (como dietas de baixas calorias e uso de medicamentos para emagrecimento), esses conteúdos se disseminam de forma ampla e descontrolada. Nos Estados Unidos, por exemplo, há uma versão do TikTok para menores de 13 anos, que inclui proteções adicionais, como restrições de interação e avaliações de conteúdo apropriado para essa faixa etária. No entanto, essa proteção não impede que conteúdos nocivos alcancem outras faixas etárias, inclusive adolescentes e adultos.

A responsabilidade do algoritmo

O TikTok, como muitas outras redes sociais, utiliza algoritmos de recomendação que são projetados para manter os usuários engajados, entregando conteúdos com base nos interesses e comportamentos de navegação de cada pessoa. Em outras palavras, quanto mais você interage com conteúdos sobre beleza e dietas, mais o algoritmo entrega publicações semelhantes.

Como podemos melhorar esse cenário?

É importante que as redes sociais invistam em algoritmos mais responsáveis, que filtrem conteúdos prejudiciais à saúde mental e física dos usuários, especialmente dos mais jovens. Além disso, educar os usuários para reconhecerem e questionarem esses padrões também é essencial. Parcerias com organizações de saúde mental e órgãos reguladores para reforçar a segurança e saúde digital podem ser passos importantes.

Como sociedade, podemos promover uma cultura de aceitação e bem-estar, criando conteúdo positivo e pressionando as redes para uma moderação mais rigorosa e responsável. A sociedade e as plataformas devem trabalhar em conjunto para reduzir essa pressão estética, priorizando o bem-estar e a autoaceitação em vez de padrões inalcançáveis.


E você, o que acha desse tema? Já parou para pensar no impacto do algoritmo nas nossas vidas? Deixe um comentário com sua opinião ou compartilhe alguma experiência que tenha vivido sobre isso. Vamos conversar e pensar juntos em como podemos criar uma internet mais saudável e inclusiva!

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